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Tecnologia
Qual câmera comprar?

Frequentemente me fazem essa pergunta; qual câmera você me indica para comprar? Respondo quase diariamente por email ou pessoalmente, para amigos, alunos, colegas ou desconhecidos, esse mesmo questionamento.

Diante de uma infinidade de modelos e preços, como escolher uma câmera? Qual tem qualidade, qual serve para um profissional ou amador, e qual marca é a melhor? Essas e muitas outras dúvidas surgem na cabeça dos amantes da fotografia, então algumas pessoas me procuram. Penso em quantas outras pessoas devem ter a mesma dúvida? Imagino que esse deve ser um problema para muita gente, especialmente para os fotógrafos iniciantes, mas afinal, qual câmera comprar?

Então resolvi elaborar uma forma de responder a todos. Mas não vou aqui dizer “compre este ou aquele modelo”! Não posso indicar uma câmera específica, ou mesmo mais que uma. Para quem está lendo este artigo com esperança de obter a indicação do modelo exato para sair e comprar, sinto muito, mas não farei isso. Até porque os modelos surgem e desaparecem semanalmente. Se eu falar que agora o melhor modelo é a câmera X, na semana que vem surge outra e este texto inteiro passa a ser inútil. Além disso, existem as revistas e sites que fazem comparativos, dão nota ou pontos, e conclui qual é a melhor naquele momento, em um sentido técnico, entre modelos equivalentes.

O que espero poder fazer aqui é na verdade ensinar como descobrir você mesmo qual é o melhor modelo para o seu uso! Para isso vou sugerir alguns passos, mas que não precisam ser seguidos a risca, ficam como sugestão:

1. Definir o uso da câmera: a primeira coisa a fazer é saber para quê você quer o equipamento? Cada uso pede especificidades diferentes, como leveza, velocidade, definição, etc.

Você precisa saber se irá fotografar pessoas ou objetos, na rua ou no estúdio, se vai fazer ensaios ou cobrir eventos, ou se vai praticar a fotografia em todas as suas possibilidades, ou apenas registrar seus eventos familiares. E é preciso ainda saber se você pretende ser profissional ou amador.

2. Depois de saber para quê, pense no como: Ou seja, para se adequar à sua necessidade, o que a câmera precisa ter, e o que não precisa?

Por exemplo, se você vai fotografar na rua, buscar a realidade na cidade, passando o dia andando por aí com a câmera, você precisa de um equipamento discreto e leve, mas com uma lente versátil, com “muito zoom ótico”. Já para fotografar insetos e flores, você precisa de uma câmera reflex, para poder colocar uma lente específica para esse uso (MACRO). Se for para uso em estúdio e fotografia de moda, a qualidade, ou definição, da imagem é o mais importante, você quer uma reflex profissional. Se você quer uma câmera para praticar a fotografia de forma amadora, porém criativa e desafiadora, explorando vários tipos de fotografia, então precisará de um equipamento semi-profissional, que é uma câmera de características profissionais, uma reflex, porém pode ser mais barata. Mas nesse caso pode ser que ela não caiba no seu orçamento, então você pode partir para uma super-compacta (ou bridge), que também tem o modo manual, com controle de abertura e velocidade, mas é mais barata que a semi e já tem uma lente completa. Você também não precisa comprar uma câmera profissional de muitos megapixels e sensor full-frame (são as mais caras) para fazer fotos das festinhas da família! Vai gastar muito mais do que precisa e ficar com dor no pescoço por causa do peso dela, e ainda morrendo de medo de que caia refrigerante ou brigadeiro em cima da câmera!

Resumindo, ao saber o que você pretende fazer, tem que saber quais modelos atendem a essa função, e entre eles qual você pode comprar.

3. Quanto posso pagar? É preciso avaliar o custo benefício, ou seja, ver que valor você pode dispor e que benefício terá com a câmera!

Não adianta encontrar o melhor modelo, mas se endividar para comprá-lo, ainda mais se for para uso amador. Já um profissional pode comprar algo mais caro, pois irá ganhar dinheiro com o uso da câmera. Por outro lado também não adianta comprar uma barata, mas que não atenda suas necessidades.

Mesmo quem tem muito dinheiro não vai simplesmente comprar a melhor câmera profissional do mercado, pois ela pode não atender a sua necessidade. Algumas vezes as câmeras baratas podem ser a melhor solução para problemas específicos. Alguns fotógrafos precisam ter várias câmeras, outros precisam de várias lentes. Tem fotógrafo que só tem uma e faz o que precisa com ela.

Na fotografia tudo tem um custo, e é preciso avaliar o quanto esse custo pesa para você. Para um profissional, que tem na sua máquina a companheira diária, ganha-pão e instrumento principal, o custo não deve ser empecilho e R$5 mil pode ser pouco. Mas para quem é amador e vai usar a câmera em festinhas de família e viagens, R$500 pode ser uma fortuna.

4. Escolhendo:
Diante disso tudo você deve escolher entre digital ou analógica? Reflex ou compacta?
Tipos de câmera disponíveis hoje:

  • compacta
  • super-compacta, ou bridge
  • digital reflex básica
  • digital reflex avançada (semi-profissional)
  • digital reflex Full-frame (ou profissional)

Então pense: Qual preço posso pagar? Depois: O que vou fazer com ela?
Exemplos:

  • Para tirar “fotinhos” da família e viagens: use uma compacta (custam aprox. R$300)
  • Para praticar a fotografia como hobby: use uma super-compacta, ou bridge (custam aprox. R$1mil)
  • Para praticar a fotografia como hobby mas de forma avançada: use uma DSLR (digital reflex) básica (custam aprox. R$2mil)
  • Para ser profissional: use uma DSLR (digital reflex) básica ou avançada (semi-profissional) (custam aprox. R$4mil)
  • Sou profissional: use uma DSLR (digital reflex) full-frame (custam aprox. de R$7mil para cima)
  • Fotografar na rua, em caminhadas pela cidade: aqui pode ser desde a compacta até a DSLR, depende do peso que você aguenta carregar, do perigo de onde irá passar, se é permitido entrar com câmeras ditas profissionais, etc.

Objetivas (ou lentes)

Outro fator importante, talvez até mais, é escolher as lentes, ou objetiva, que você vai usar. No caso das câmeras tipo compacta, super-compacta, ou bridge, normalmente não há como trocar as lentes. Por isso ao comprar uma câmera dessas, você ficará “preso” ao que vier com ela, porém elas costumam ser bem versáteis, com muito zoom, de 4, 15, 30x!

Mas no caso das reflex, ou DSLRs, as objetivas são intercambiáveis, e definem a qualidade e tipo de imagem. Portanto há objetivas específicas de acordo com o tipo de fotografia desejado. Veja o resumo dos tipos de objetivas:

  • Normal (ou com pouco zoom): são as objetivas de 50mm (ou 35mm no caso das compactas) – são indicadas para uso geral, retratos, paisagens e eventos.
  • Grande angular: são as objetivas de grande abertura, 10mm ou menos, capazes de registrar uma cena grande, quando há pouco espaço. Quando “exageradas” são chamadas “olho-de-peixe”. Muito úteis para arquitetura, situações de pouco espaço, e produzem imagens de aspecto diferenciado, muito parecidas com espelhos convexos!
  • Tele-objetivas: são as lentes para “fotografar de longe”, como se fossem lunetas. Geralmente a partir de 80mm, chegando a 600 ou mais. Podem ser fixas (por exemplo 200mm) ou tele-zoom (75-250mm). Indicadas para esportes, retratos, ou para “espionar”.
  • Macro: se caracterizam por poder fazer o foco muito próximo do objeto, sendo assim ideais para clicar flores, insetos, ou outros objetos pequenos.

Há muito mais detalhes importantes sobre as objetivas, se quiser saber um pouco mais, veja aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dist%C3%A2ncia_focal

Conclusão?

É você que tem que descobrir qual câmera comprar! Para isso você precisa saber o que precisa, como vai fazer, e quanto vale a pena pagar! Eu por exemplo tenho várias câmeras, pois cada uma foi adquirida em um momento diferente, para atender as necessidades específicas da época, e tenho o hábito de não me desfazer delas, pois cada uma tem características diferentes, assim são úteis sempre. Antes de investir no equipamento então estude bem o que está disponível, na faixa de preço que pode pagar! E sempre procure as boas marcas, como CANON e NIKON, ou até mesmo SONY, OLYMPUS, PENTAX, etc, mas fuja das “TekPix”.

E preciso dizer uma coisa importante antes de acabar: não é o equipamento que faz uma boa foto, mas sim o fotógrafo. Então compre a melhor câmera que você puder, mas mesmo que ela não seja o ideal, não deixe de fazer, de fotografar, de praticar fotografia e de ser fotógrafo!





Autor

Yuri Bittar

Designer, fotógrafo e historiador. Mestre em Ensino em Ciências, na Universidade Federal de São Paulo, graduado em Desenho Industrial (Mackenzie) e História (USP), atua como designer gráfico, desenvolve cursos de fotografia, exposições e as saídas Fotocultura, além de pesquisas sobre humanização no ensino da saúde. Através da história oral, da fotografia, da literatura e outros recursos, tem buscado criar projetos mais próximos ao humano.

Website pessoal: http://www.yuribittar.com


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